sexta-feira, 14 de abril de 2017

Proibição do uso do capacete no perímetro urbano

Por mais estranho que isso possa parecer, vez ou outra recebo esse questionamento em sala de aula, são alunos afirmando que em determinada cidade existe uma lei ou mesmo uma determinação de alguma autoridade local proibindo o uso do capacete no perímetro urbano em razão da onda de insegurança provocada por bandidos que utilizam motocicletas para praticar assaltos e o capacete acaba dificultando sua identificação.

O caso mais recente é o da cidade de Lajedo-PE, onde os vereadores apresentaram proposta para proibir o uso do equipamento, lançaram uma enquete para que a população opinasse a respeito e a depender do resultado a ideia é transformar em lei municipal. Evidentemente que se trata de uma medida popular, um devaneio que não se sustenta legalmente.

De início é importante destacar que o art. 22 da Constituição Federal assim dispõe: “Compete privativamente à União legislar sobre trânsito e transporte”, ou seja, o município não pode criar esse tipo de lei, até porque já existe legislação federal tratando do tema que não pode ser sobreposta por uma lei municipal.

A Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, que institui o Código de Trânsito Brasileiro, em vigor desde 1998 determina em seus artigos 54 e 55 a obrigatoriedade do uso do capacete para condutor e passageiro, respectivamente, das motocicletas, motonetas e ciclomotores, a regra obviamente é válida em todo o território nacional.

O CTB ainda prevê punição aos que descumprirem a norma, o art. 244, incisos I e II, considera infração de natureza gravíssima, além do registro de 7 pontos no prontuário do infrator, multa de R$ 293,47, recolhimento do documento de habilitação e suspensão do direito de dirigir pelo período de dois a oito meses, tendo o condutor que participar de curso de reciclagem e fazer prova no DETRAN para ter sua CNH de volta, e na hipótese de ser uma Permissão Para Dirigir há o risco de sofrer cassação.

Por incrível que pareça, sob o argumento da insegurança causada pela violência existem cidades que adotaram medidas semelhantes, não por meio de lei, pois é perfeitamente questionável judicialmente, mas através de determinação imposta por alguma autoridade local.

É de se questionar: o que fazer com um motociclista conhecedor de seus direitos e deveres e que ao ser abordado pela polícia ou por outra autoridade qualquer se recuse a abrir mão do único equipamento obrigatório que lhe proporciona segurança na motocicleta? Deve ser preso por desobedecer a lei ou determinação municipal, mesmo estando cumprindo a legislação de trânsito que é nacional? Deve ser obrigado a abrir mão do capacete? E se ele sofrer um acidente fatal, quem se responsabilizará pelo ocorrido?

Não há nesses locais nenhuma estatística que comprove a redução da criminalidade depois de adotada essa medida ilegal, mas certamente deve ter aumentado o número de mortes envolvendo motociclistas, pois ainda que transite em baixa velocidade, havendo um acidente, o risco de morte aumenta consideravelmente pela falta do capacete.

Curioso seria uma fiscalização do DETRAN ou da Polícia Rodoviária Federal (nos trechos de rodovia federal que eventualmente cortar a cidade) abordar um motociclista sem capacete e ao informá-lo do cometimento da infração, ser surpreendido pelo argumento de que existe lei municipal proibindo o uso. Imagino que depois de dar boas risadas, o Agente irá autuar o infrator e recolher seu documento de habilitação, para que posteriormente sejam aplicadas as sanções já mencionadas.

Para combater a onda de violência que o nosso país está vivendo, essa medida se mostra ineficaz tanto do ponto de vista legal, pelos motivos expostos, quanto do lado prático, pois não se pode querer solucionar um problema criando outro.

Ficamos na expectativa para que os nossos políticos e demais autoridades busquem outros meios de combate à violência, como por exemplo, aumentar o policiamento nas ruas para proteger os cidadãos. Criar leis esdrúxulas ou determinações ilegais como essa não resolve, no máximo desvia o foco do problema principal. Além do mais, parafraseando um amigo, capacete não comete crime, ele salva vidas!

GLEYDSON MENDES – Bacharel em Direito. Professor de Legislação de Trânsito do SENAI, do LM Cursos (RJ) e da Personal Drivers. Autor do livro “Noções Básicas de Legislação de Trânsito” e coautor do livro “Curso de Legislação de Trânsito”. Criador e colaborador do site Sala de Trânsito.

4 comentários:

  1. O cidadão deve saber dos seus limites e da sua responsabilidade. O uso de capacete deve ser proíbido em áreas urbanas. Com certeza o número de crimes deve diminuir. Pessoas fazendo uso de capacetes logo serão denunciadas e averiguadas. Facilitará a identificação de condutores e caronas autores de crimes.A integridade física do condutor e carona em relação a acidentes de trânsito que os envolvam é opção e responsabilidade de ambos. Essa proibição deve ser lei.

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  2. Você se confunde nas suas ideias. Pois se a integridade física do condutor é opção,"Unknow", então não se pode proibir o uso de capacetes. Outra, então proíbe-se também a utilização da internet, pois muitos utilizam-se da internet para cometer crimes virtuais. Capacete é um equipamento de segurança, assim como a internet muitos utilizam para cometer crimes.Polícia na rua.

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  3. Pois da nossa parte somos totalmente contrário ao uso de capacetes pelo condutor e pelo carona em áreas urbanas de qualquer cidade brasileira, hoje com essa grande e desenfreada quantidade de crimes cometidos por ocupantes de motos o crescimento desses crimes vão muito mais além da conta, se um povo muda de representantes, também deveriam ter o poder de mudarem suas leis e sugiro desde já, que esses políticos, tipo deputados federais e senadores que fingem a prestar seus serviços ao bem da população, já que pouco fazem em plenário, pelo menos deveriam modificarem e tipificarem na constituição federal e nas leis de trânsito no brasil esses artigos, possibilitando a possibilidade da criação de leis locais, que se tornasse proibitivo o uso de capacete em perímetros urbanos e ao mesmo tempo exigisse a velocidade para se trafegar com segurança a fim de evitar acidentes com lesões superficiais ou fatais, seria o mesmo evento de cumprimento da LEI, porém a criminalidade com certeza diminuiria de forma acentuada nestas localidades os atos de criminalidade impostas a população por esses marginais que se escondem por de baixo de seus capacetes, deverá ser apresentada já numa emenda a constituição a esse respeito...

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  4. sou contra a obrigação de utilização de capacetes em areas urbanas, Um jeito facil de ganhar dinheiro entre multas etc. Se o cidadão quiser correr o risco de andar sem capacete a vida é dele, o estado deve parar de impor leis dize do que eles cuidam da vida dos motorciclistas. Se deixar de ser obrigatorio na cidade, usa quem quiser. Com.isso poderia baixar a custo bem.irrisorio o seguro obrigatorio ppis o governo não mais seria cobrado pelo acidente, o mezmo devia ser com o cinto de segurança. obrigatorio apenas nas estradas, nas cidades os limites de velocidade ja são controlados por radares. Ano novo e la vem ipva ilegal. Ilegal pois o rasileiro pagando ipva seria utilizado nas estradas e não existiriam mais os pedagios , isso era o projeto. mas como o povo aceita tudo, foda-se o povo que paga ipva, pedagio, é obrigado a usar cinto e capacete.
    A vida e de cada um e nao do governo, vc faz o que achar mais seguro pra vc.
    Resumindo, pau no cu do povo que paga por tudo e fica quieto.

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