terça-feira, 2 de agosto de 2016

Eleições municipais e o desrespeito às leis de trânsito

O trânsito sempre foi relegado a segundo plano e com os nossos políticos não poderia ser diferente. No período das eleições raramente algum candidato apresenta proposta a respeito desse tema, mesmo diante de sua importância, pois são quase cinquenta mil mortes no trânsito brasileiro todos os anos, são vidas perdidas e nossos governantes parecem não se importar.

Creio que dificilmente se desrespeita tanto as leis de trânsito como na época das eleições municipais, sobretudo nas cidades que não possuem órgão de trânsito para fiscalizar as irregularidades praticadas por condutores. Nas cidades do interior que possuem órgão de trânsito, os agentes se abstêm de fiscalizar, pois sabe que se autuar um condutor (eleitor) que foi flagrado cometendo alguma infração a confusão é grande, a ponto de se transformar numa briga política.

Quando uma autuação é feita, aparece candidato de tudo quanto é lado para defender o condutor que mesmo tendo descumprido a lei, merece proteção de pessoas que sequer ocupam algum cargo público, pois são candidatos ainda, mas já se sentem no direito de afrontar aqueles que tentam de algum modo garantir a segurança da coletividade.

São vários os absurdos encontrados: condutores eufóricos durante a campanha que dirigem embriagados; sem utilizar o cinto de segurança; utilizando o telefone celular, até porque não se pode deixar de registrar nenhum momento da carreata; pessoas sendo transportadas nas partes externas do veículo (literalmente penduradas); outros são transportados nos compartimentos de carga (caçambas); há casos em que menores de idade dirigem o veículo, isso porque os pais estão pulando e vibrando em nome do candidato do lado de fora do carro; som alto tocando as “belíssimas” músicas de campanha; falta de capacete por parte dos motociclistas; excesso de passageiros; dentre outras.

Todas as possíveis infrações apontadas interferem, sem sombra de dúvidas, na segurança do trânsito. Diante de tantos abusos, acidentes podem ocorrer por imprudência e pela falta de respeito às regras básicas que podem evitar com que pessoas morram por algo tão banal.

Aos condutores fica a certeza de que estão protegidos pelos seus candidatos, que jamais deixarão seus eleitores desamparados. Afinal de contas, é a garantia de mais um voto.

Se um acidente de trânsito com vítima ocorrer, faz-se um luto temporário e no outro dia o desrespeito continua, pois a campanha não pode parar. Mas e a vida que foi perdida por imprudência? Para o candidato são somente estatísticas no papel. E o respeito às leis de trânsito, à segurança, onde fica? Para o candidato isso se discute outra hora, eleição não é o momento!

GLEYDSON MENDES - Acadêmico de Direito, Professor de Legislação de Trânsito do LM Cursos e da Personal Drivers, autor do livro “Noções Básicas de Legislação de Trânsito”, criador e colaborador do site Sala de Trânsito.

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