sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Traumas na cabeça podem levar a danos cerebrais irreversíveis

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o número de mortes em 2020, em todo o mundo, por acidentes no trânsito chegue a 1,9 milhões. Deste total, aproximadamente, 50 milhões de pessoas sobreviverão aos acidentes com traumatismos e ferimentos a cada ano.
O neurocirurgião Mauro Takao Suzuki, do Hospital Santa Luzia, em Brasília, explica que o traumatismo craniano não é causado, necessariamente, pelo impacto direto ao cérebro. “O traumatismo cranioencefálico pode acontecer com a desaceleração do corpo pelo cinto de segurança, por quedas ou acidentes sem fraturas do crânio, por exemplo. Essas situações expõem a pessoa a um grande risco de danos cerebrais, da medula cervical e de todo do corpo.”

Os casos mais graves de traumatismos cranianos são os que levam ao edema cerebral, ou seja, ao inchaço do cérebro dentro da caixa craniana. “O crânio não é flexível, o que complica o quadro de saúde do paciente. Ao inchar, o cérebro é comprimido dentro desta estrutura, levando a edemas, coágulos e sangramentos, que podem deixar sequelas no organismo dependendo do local em que a hemorragia ocorre”, alerta o especialista.

Os sintomas do edema cerebral devem ser identificados e avaliados por um especialista, para que o tratamento adequado seja feito. “Perda de consciência, náuseas, vômitos, dor de cabeça e desorientação são sinais de que o trauma afetou o cérebro. Porém, em casos mais específicos, principalmente, em idosos, os sinais aparecem após um longo período, podendo levar meses após o acidente.” 

Tratamento e cuidados 

Dr. Mauro Takao Suzuki, do Hospital Santa Luzia, detalha que as medidas de neuroproteção após os traumas são essenciais para os cuidados do paciente. “As ações para proteger o cérebro variam de acordo com o grau do trauma. A indução do coma é indicada para diminuir o metabolismo cerebral e, consequentemente, aumentar o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes”, ressalta.

O especialista acrescenta que para desinchar o cérebro é indicado, ainda, manter a temperatura corpórea e a pressão arterial estáveis. “Para monitorar a pressão intracraniana fazemos a introdução de um cateter no cérebro”, conclui o neurocirurgião.

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