segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Processo de habilitação para moto deverá ter simulador

Contran pretende anunciar as mudanças em 2014, mas o objetivo é prevenir acidentes 


Ilustração
O processo de habilitação para motocicletas deve passar por mudanças, que serão anunciadas em 2014. É que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) está preocupado com o aumento de mortes em acidentes envolvendo motos – que passou de 4.541, em 2001, para 14.666, em 2011, segundo o Ministério da Saúde – e quer aprimorar a formação dos motociclistas como forma de prevenção. As alterações ainda são estudadas, mas o que já é quase certo é a obrigatoriedade de aulas em um simulador antes de seguir para a prática de pilotagem, conforme o próprio conselho.

Atualmente, a parte prática do processo de habilitação para a carteira de moto (tipo A) prevê apenas o treinamento dentro de um circuito fechado. As aulas e o exame de avaliação são feitos em um pátio sem a presença de outros veículos. Especialistas criticam esse modelo, que não prepara o candidato para o tráfego urbano.

“O motociclista que é aprovado no exame e logo após sai pelas ruas da cidade é uma potencial vítima de um acidente de trânsito. Nós sabemos que quem tira a carteira não está pronto para pilotar a moto, e a nossa recomendação é que treine bastante em ruas de bairro antes de seguir para os grandes corredores”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), Lucas Pimentel.

Ele acredita que o exame da forma como é constituído não avalia habilidades importantes que o motociclista deve ter, como a capacidade de frenagem e o campo de visão. “Nesse sentido, o simulador pode ajudar bastante, reproduzindo situações que são vividas no trânsito, como desvio de buracos, poças d’água e habilidade para fazer correções de traçado”, avaliou.

Estudo

Já o presidente do Sindicato dos Proprietários de Autoescolas de Minas Gerais, Rodrigo Silva, vê com desconfiança a implementação do simulador. “Qualquer aprimoramento da qualificação do condutor é visto com bons olhos. Mas não sabemos até que ponto o simulador pode ajudar nesse processo. Até agora, não há um estudo que aponte a eficiência do simulador na didática de ensino de condutores”, criticou.

Além do simulador, outras mudanças devem ser feitas no processo. O Contran já recolheu sugestões dos Departamentos de Trânsito de todos os Estados do país. No ano que vem, o conselho pretende anunciar oficialmente as alterações.

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