terça-feira, 17 de setembro de 2013

Formação de condutores e avaliação de instrutores em pauta na Câmara

Analisar e debater a formação de novos motoristas com foco no papel dos Centros de Formação de Condutores sob a ótica do CTB e a responsabilidade dos entes públicos do Sistema Nacional de Trânsito. Este é o tema da audiência pública agendada para o dia 24 de setembro, às 14h, no Anexo II da Câmara dos Deputados em Brasília, no Plenário 11. A audiência será transmitida ao vivo pela internet no Portal da Câmara dos Deputados.

A iniciativa de uma audiência pública na Câmara dos Deputados é do mesmo autor da Lei Seca, deputado Hugo Leal e se tiver o mesmo êxito, a formação de novos motoristas no Brasil vai mudar para melhor.

Às vésperas da Semana Nacional do Trânsito, de 18 a 23 de setembro próximo, como parte do pacote que será lançado pelo Ministério das Cidades com nome de “Parada: Pacto Nacional Pela Redução de Acidentes”, vem aí a grande novidade.

Os mais de 50 mil instrutores e examinadores de trânsito do Brasil terão de fazer um provão nos mesmos moldes do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). No caso dos instrutores e examinadores, trata-se do Exame Nacional de Instrutores e Examinadores de Trânsito (ENIT). O objetivo é avaliar, a partir deste ano, a formação das pessoas que estão ensinando e formando os novos motoristas.

Embora muita gente não concorde com os tais “provões”, o ENIT vai ser a oportunidade de avaliar não só a formação, mas também servirá de indicador para demonstrar se a prática dos instrutores e examinadores corresponde às reais necessidades dos alunos e se interferem nos altos índices de reprovação nos testes de direção.

E antes que saiam dizendo que a cobrança será só em cima dos instrutores e examinadores, a partir dos resultados do ENIT também será feito o acompanhamento da atuação dos órgãos executivos de trânsito do nível de qualidade dos serviços prestados aos CFC’s e à sociedade.

Espera-se, com isso, também cobrar dos DETRANS e até do próprio DENATRAN uma resposta para ampliar a qualidade do processo de formação, requalificação e capacitação desses profissionais do trânsito, aplicando as medidas, programas e ações necessárias.

No que se refere à audiência pública, a pauta lembra muito as paradas pedagógicas realizadas por mim com os Detrans, CFC’s e seus profissionais de todo o Brasil e reconhecidas como Boas Práticas no Trânsito pela Perkons. Trata-se de um momento em que todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender a dirigir reconhecem suas responsabilidades, identificam oportunidades e buscam soluções.

O foco é na aprendizagem significativa em substituição aos métodos de ensino que adestram o aluno para tornar o ensino e a aprendizagem significativos, atualizar os métodos de ensinar e aprender a dirigir no Brasil e evitar acidentes por imperícia nessa fase.

Em Brasília, participam da audiência pública o presidente da Federação Nacional das Autoescolas Centro de Formação de Condutores (FENEAUTO), o Presidente da Associação Nacional dos Detrans/Detran-AC, o Diretor-Geral do DENATRAN, o Presidente do Sindicato das Autoescolas do Estado do Rio de Janeiro; o Presidente do Sindicato dos Instrutores e Empregados em Autoescolas de Aprendizagem do Estado do Rio de Janeiro e o Presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).

É isso aí, sociedade! Parece que acendeu uma luzinha no final do túnel, daquelas de reacender a esperança de que o modo como se ensina e se aprende a dirigir no Brasil possa ser revisto, atualizado e tratado com a devida seriedade e importância.

Pelo menos, estão se mexendo lá em cima e, como no Brasil toda mudança vem de cima, tomara que isso seja um bom sinal.

O instrutor de autoescola será apresentado na audiência pública como personagem primeiro na formação do condutor, o profissional que serve de referência e de parâmetro para o aluno em processo de habilitação. Por este motivo, se tratará do papel de outros diretamente envolvidos como os gestores de CFC, diretores de ensino, profissionais do Detran, dentre outros em esfera maior.

Minha esperança é de que o adestramento com que se ensina as pessoas a dirigir nas autoescolas e que, em grande parte, é responsável pelos altos índices de reprovação nos testes de direção, seja substituído por um modelo de aprendizagem significativa e defensiva, com acolhimento emocional ao aluno para superar o medo de dirigir e outras dificuldades que causam os acidentes por imperícia. Chega! Já temos acidentes demais!

Esperançosa aqui. Parece que agora vai! Pelo menos, estamos iniciando o debate sobre um dos maiores problemas na formação de novos motoristas: o adestramento.

Será que vou viver para ver esse sonho realizado?

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